A professora Francisca Rayane Fernandes da Silva, de 33 anos, de Quixeramobim, conquistou o primeiro lugar no IV Concurso de Poesias do Instituto Federal do Ceará (IFCE), promovido pelo campus de Fortaleza. A produção apresentada por ela recebeu 100 pontos, a nota máxima da avaliação.
Rayane é professora da EEMTI Liceu Alfredo Almeida Machado, em Quixeramobim, e atualmente cursa a Pós-Graduação em Tecnologias Educacionais no IFCE. Ao tomar conhecimento do concurso, decidiu participar e buscou desenvolver um texto que, segundo ela, representasse questões e singularidades sociais.
“Fiquei muito animada e busquei escrever um texto que representasse singularidades sociais”, relatou a professora. Ela também explicou que sua produção presta homenagem a mulheres que tiveram e continuam tendo relevância na luta pela causa feminina.
A conquista teve um significado especial para Rayane, que escreve poesias desde os oito anos de idade. Ao saber da pontuação máxima, ela descreveu o momento como uma emoção indescritível e dedicou o resultado às mulheres que fazem parte de sua trajetória.
“A produção não representa apenas o que sou, mas o que tantas mulheres representam para minha trajetória. Ofereço essa conquista a todas as mulheres do Ceará e do Brasil, especialmente para minha mãe, que me ensinou os processos de leitura, escrita e produção literária”, relatou ao Quixeramobim Agora.
Outros reconhecimentos
O primeiro lugar no concurso do IFCE soma-se a outras conquistas recentes da professora. Em 2026, Rayane teve um trabalho aprovado no XV Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação (CONNEPI), realizado em Fortaleza, representando o curso de especialização que frequenta.
Ela também conquistou a medalha de bronze, correspondente ao terceiro lugar, no 1º Torneio de Professores de Português (TPP), realizado em agosto deste ano. A competição teve abrangência nacional e foi voltada a professores da Educação Básica, das redes pública e privada, com avaliação de conhecimentos relacionados à análise, interpretação e raciocínio linguístico.
Outra distinção recebida pela professora foi uma menção honrosa no Prêmio Seymour Papert–Paulo Freire de Educação e Ciências, na edição de 2026. Rayane foi a única cearense a receber a homenagem, pelo projeto “Girassóis: além do que os olhos podem enxergar”.
Concurso do IFCE
O IV Concurso de Poesias recebeu trabalhos produzidos por integrantes da comunidade acadêmica do IFCE. As obras foram analisadas conforme os critérios previstos no edital.
Ao todo, 33 poesias alcançaram pelo menos 60 pontos e foram classificadas para integrar um livro digital. A publicação está prevista para ser lançada em 2 de dezembro de 2026.
As cinco produções que atingiram a pontuação máxima foram “Recordações e Sonhos”, “Tempo”, “O Avesso do Silêncio”, “Mulungu” e “Geometria do Encontro”. Na sequência ficaram “A Lua”, com 99 pontos; “O Mundo”, com 97; “Nada é Pequeno” e “A Estrada Tem Fim”, ambas com 96; e “Claridade Íntima”, com 95 pontos.
Além dessas dez primeiras colocadas, outras 23 poesias atingiram a pontuação mínima estabelecida para a publicação.
O concurso é organizado pela Biblioteca Waldyr Diogo de Siqueira, em parceria com a Diretoria de Extensão e Cultura (Direxc) do campus de Fortaleza. Os autores das obras selecionadas mantêm os direitos autorais sobre os textos, enquanto autorizam a inclusão das poesias no livro digital e sua circulação e distribuição.
Veja o poema completo
O Avesso do Silêncio
Meus versos evocam a liberdade
Disseminam justiça e esperança
De mulheres que, com dignidade
Simbolizam a fé e a temperança
Superando injustiça e preconceito
Defendem com atitude o preceito
De um mundo com paz e confiança.
No palco onde ecoa a igualdade
Há resquícios de vozes reprimidas
Destruídas pelos olhos da maldade
Por razões injustas e indefinidas
São atitudes erradas e violentas
Com vítimas, histórias e sentenças
Muitas delas ainda desconhecidas.
Com Marielle, Dandara e Gisberta
Aprendemos o poder de resistir
Entoando nossos gritos de alerta
E, por meio da arte, reconstruir
Um país mais livre e solidário
Onde a segurança seja o cenário
Que juntos possamos construir.
Em Natany, Kevile e Clarissa
Encontramos razões para seguir
Em Eliza, Daniella e Larissa
Sentimos a dor de descobrir
Que o ódio machuca e silencia
Promovendo revolta e agonia
E nos tira o direito de existir.
Hoje exalto o poder de pertencer
E, através da arte,reencontrar
Atitudes para amar e defender
E com democracia oportunizar
Espaços de respeito e esperança
Onde empatia e autoconfiança
Sejam garantidas em todo lugar.
Um poema é curto para dizer
O que só o coração sabe sentir
Pois viver livremente é entender
Que só a união pode intervir
Em um contexto desigual
Onde a realidade social
Nos impede de evoluir.
Fortalecendo a cooperação
Entre escola e universidade
Estabelecemos a concepção
De que a educação é dignidade
Pois o conhecimento amplia
Combate, constrói e recria
Favorecendo a equidade.
Em harmonia podemos conviver
Usando a arte para transformar
Em cada obstáculo compreender
Além do que se pode enxergar
E que, nas vozes silenciadas
E nas dores negligenciadas
Exista um recomeço singular.
Que a convivência fortaleça
O sentido de pertencimento
E que a arte seja o escudo
Para nos desviar do sofrimento
Que a democracia seja o mapa
Que orienta, ensina e destaca
Sendo a justiça o fundamento.

