A multinacional Rivaz Incorporation estuda a exploração e o refinamento de lítio no Sertão Central do Ceará, com áreas de interesse nos municípios de Banabuiú, Solonópole, Quixadá e Quixeramobim. De acordo com as informações apresentadas pela empresa, a atividade de mineração poderá começar no próximo ano, enquanto a instalação de uma unidade de refino é projetada para ocorrer entre 2028 e 2029.
A companhia trabalha com uma meta de processar até 200 mil toneladas de lítio por ano quando o empreendimento estiver em operação. Para avançar nos estudos, a Rivaz já protocolou pedidos de licenças minerárias junto à Agência Nacional de Mineração (ANM), com o objetivo de iniciar trabalhos de pesquisa e análise da pureza do material encontrado na região.
O lítio é considerado um mineral estratégico para a transição energética e é utilizado na fabricação de baterias recarregáveis destinadas a veículos elétricos, celulares e notebooks, além de sistemas de armazenamento de energia produzida por fontes renováveis, como a solar e a eólica.
Com sede nos Estados Unidos, a Rivaz Incorporation atua no setor de mineração e transição energética e já possui operações no Brasil, nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, com foco em minerais considerados críticos, entre eles o lítio.
Reunião em Quixeramobim
Nessa quarta-feira, 30, o CEO da Rivaz, Michael Ji, e o diretor-geral da empresa no Brasil, Ranieri Almeida, estiveram reunidos com representantes da Prefeitura de Quixeramobim e com o secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó.
Durante o encontro, foram apresentados investimentos relacionados à logística da região, enquanto os executivos da multinacional detalharam os interesses da empresa no Sertão Central. Também participaram da reunião representantes do Grupo J. Macêdo, que lidera o movimento pela implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Quixeramobim.
O valor do investimento apresentado pela companhia durante as tratativas não foi divulgado.
Quixeramobim busca atrair unidade de refino
Em Quixeramobim, a possibilidade de instalação da refinaria é acompanhada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SDE). Segundo o titular da pasta, Afrânio Feitosa, o município possui três áreas com potencial para a exploração do lítio, localizadas nas comunidades de Condado, Malacacheta e Coque.
As áreas ficam próximas ao local onde está sendo estruturado o terminal logístico de Quixeramobim, às margens da ferrovia Transnordestina. A localização é apontada pelo município como um dos fatores que podem favorecer a instalação de uma unidade de processamento, diante da possibilidade de integração entre a produção mineral e a infraestrutura logística.
Segundo Afrânio Feitosa, o município vem articulando ações com o Governo do Estado e a iniciativa privada para tentar viabilizar a atração do empreendimento.
“Nós conseguimos reunir em Quixeramobim, além do município, o Governo do Estado e a iniciativa privada. O município larga na frente exatamente por essa estratégia articulada (…) A Rivaz quer colocar uma refinaria no Sertão Central e o nosso município está muito bem posicionado para receber”, afirmou o secretário.
Ainda conforme o titular da SDE, as áreas com possibilidade de exploração estão distribuídas entre terras pertencentes à União, ao município e a proprietários particulares. Entre as alternativas avaliadas para viabilizar a implantação do empreendimento está a concessão de terrenos.
O secretário também destacou que o município dispõe de mecanismos previstos na legislação local de desenvolvimento econômico, que podem incluir cessão, aluguel ou doação de áreas, além de possíveis incentivos fiscais relacionados a tributos municipais e apoio nos processos de licenciamento.
“Através da nossa lei de desenvolvimento econômico, temos a possibilidade de doar, de ceder, de alugar. Temos a possibilidade de incentivos fiscais municipais, ISS, IPTU, licenças. Isso já está no nosso escopo de apresentação”, acrescentou Afrânio.
As tratativas ainda estão em fase de estudos e articulações. A eventual exploração mineral e a instalação de uma refinaria dependem do avanço das pesquisas, das autorizações e licenças necessárias e da definição dos investimentos pela empresa.

