Quase 30 anos após o assassinato de Ivaneide Barbosa Fernandes Silva, de 24 anos, o caso volta a ganhar força em Milhã, no Sertão Central do Ceará. O réu acusado do crime será submetido a júri popular, resultado da luta incansável de seu filho, Bruno Fernandes, que tinha apenas dois anos quando perdeu a mãe. Hoje, aos 30, Bruno atua como Ouvidor Geral Adjunto do município e celebra o avanço do processo como um marco de justiça.
O homicídio ocorreu em 9 de julho de 1998, quando o acusado, embriagado, adquiriu uma faca peixeira e desferiu dois golpes fatais contra Ivaneide, que trabalhava em um bar da cidade. Preso no dia seguinte, o homem fugiu da cadeia pública de Solonópole apenas 15 dias depois, permanecendo foragido por mais de duas décadas. Em 2023, foi recapturado em Costa Marques, Rondônia, mas aguarda julgamento em liberdade.
O processo ficou suspenso até 2018, o que também interrompeu a contagem da prescrição. Em 2026, o Tribunal de Justiça do Ceará negou por unanimidade o recurso da defesa, confirmando a pronúncia do réu por homicídio qualificado, crime descrito pelo Ministério Público como “covarde, sorrateiro e à traição”.
Bruno, que se habilitou como assistente de acusação, afirma que sua missão é dar voz à mãe: “A Ivaneide não pode falar, mas eu posso. Vou estar lá como filho, não como peça do processo”. Para ele, o júri popular representa não apenas a busca por justiça, mas também a chance de transformar a dor em memória viva: “São 28 anos carregando uma ausência. O que eu espero é paz, é poder seguir a vida sabendo que não me calei”.
O caso, considerado por Bruno como o primeiro homicídio contra mulher registrado em Milhã desde sua emancipação em 1985, mobiliza a comunidade e reacende o debate sobre violência contra mulheres no interior do Ceará.
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