Teve um tempo em que o rádio morava mais na imaginação do que nos olhos.
O locutor estava ali, entre quatro paredes. Não havia câmeras, transmissões on-line ou redes sociais. Quem ouvia, criava. Cada ouvinte desenhava o comunicador do seu jeito, com base apenas na voz, no jeito de falar e na emoção que chegava pelo ar.
E, mesmo sem ser visto, o rádio estava em todo lugar.
Por trás daquela voz, existia uma estrutura forte e bem pensada. Área de transmissão preparada, aterramento com radiais, torre imponente e uma antena de qualidade. No caso da Rádio Campo Maior, uma torre de 74 metros, erguida em um amplo espaço doado pelo empresário Luiz Prata Girão, onde até hoje funciona o parque de transmissão.
Tudo pensado para uma missão: chegar longe.
E chegava.
A qualidade do transmissor, somada ao link que liga o estúdio principal ao parque de transmissão, a cerca de três quilômetros de distância, garantia um sinal firme, limpo e presente.
O resultado era impressionante.
A rádio ultrapassava fronteiras e marcava presença em mais de quarenta municípios do Ceará. Em muitas dessas cidades, era mais que uma emissora: era a rádio da casa, a companheira do dia a dia.
Uma presença construída no som, na confiança e no alcance.
A montagem dessa estrutura teve o olhar e o cuidado do querido Lourenço (in memoriam). Depois, a assistência ficou por conta de Carlinhos, técnico dedicado, também in memoriam, que ajudou a manter essa engrenagem funcionando com precisão.
Hoje, tudo é mais fácil.
Com um celular, a imagem acompanha a voz, o estúdio ganha o mundo em segundos e o ouvinte já não precisa imaginar.

