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  Conteúdo Especial  De Jurema a Portugal: jovem de Quixeramobim apresenta pesquisa sobre saneamento e educação ambiental
Conteúdo Especial

De Jurema a Portugal: jovem de Quixeramobim apresenta pesquisa sobre saneamento e educação ambiental

RedaçãoRedação—3 de outubro, 20260
Foto: Arquivo pessoal
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A trajetória que começou na comunidade Jurema, no distrito de Manituba, em Quixeramobim, chegou a Portugal. Aos 26 anos, Antonio Henrique da Silva Meneses participou de um congresso internacional na cidade de Faro, onde apresentou o trabalho “Avaliação da percepção ambiental em um assentamento rural no Sertão Central cearense“, desenvolvido a partir de sua pesquisa de mestrado em Tecnologia e Gestão Ambiental no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Campus Fortaleza.

Gestor Ambiental, especialista em Segurança do Trabalho e em Gestão Ambiental, Henrique está na etapa de finalização do mestrado. A pesquisa foi realizada no Assentamento Quinim, próximo ao distrito de Belém, em Quixeramobim, e aborda a relação entre educação ambiental, saneamento e tecnologias sociais.

O estudo avalia como a educação ambiental e as chamadas tecnologias sociais podem contribuir para transformar a realidade de comunidades rurais. Entre as soluções analisadas estão as wetlands construídas, sistemas de tratamento de efluentes baseados em soluções encontradas na própria natureza.

Em entrevista ao Quixeramobim Agora, Henrique afirma que esses sistemas apresentam potencial de aplicação em regiões que enfrentam dificuldades relacionadas à disponibilidade de água.

Foto: Arquivo pessoal

“Os Wetlands são tecnologias de tratamento de efluentes que são baseados em Soluções baseadas na Natureza. Atuam como tecnologias de tratamento de efluentes, sendo viável economicamente e ambientalmente, além do potencial reuso na agricultura, levando em consideração às condições de escassez hídrica da região”, explica.

Além da tecnologia, a pesquisa também investigou os desafios relacionados ao saneamento no semiárido, a percepção dos moradores sobre o tratamento e o reúso da água e a utilização de jogos pedagógicos em oficinas de educação ambiental.

Como parte do trabalho, foram desenvolvidas atividades com moradores do Assentamento Quinim. O número de participantes variou de acordo com cada etapa da pesquisa, chegando a 24 pessoas no maior grupo.

Para Antonio Henrique, o local escolhido para desenvolver a dissertação tem um significado especial. A comunidade apresenta características socioambientais semelhantes às da Jurema, onde ele nasceu e viveu por muitos anos.

“Este trabalho de dissertação tem um diferencial, que é onde foi desenvolvido. Trabalhei com a comunidade Assentamento Quinim, próximo do distrito de Belém, pelo qual tive profunda dedicação e amor, pois, levar a educação ambiental para uma comunidade com a realidade socioambiental similar a comunidade Jurema na qual nasci e morei por muito tempo, é motivo de muita satisfação”, afirma.

O propósito, segundo o pesquisador, foi aproximar o conhecimento acadêmico da realidade dos moradores.

“O objetivo principal foi engajar a comunidade, propiciar o conhecimento e a percepção ambiental acerca dos problemas existentes buscando uma mudança de comportamento no cotidiano”, explica.

Da comunidade Jurema a um congresso internacional

A participação no congresso em Faro representou uma experiência internacional durante a fase final da formação acadêmica. Para Antonio Henrique, o evento teve importância tanto para a apresentação da pesquisa quanto para sua trajetória profissional.

Foto: Arquivo pessoal

“Participar de um congresso internacional na cidade de Faro em Portugal é de grande relevância para minha formação profissional”, afirma.

A viagem contou com apoio para a aquisição das passagens. Segundo o pesquisador, os recursos vieram do IFCE, de órgãos de financiamento e do projeto “Cidades Inteligentes e Sustentáveis no estado do Ceará” – CAPES/FUNCAP.

A pesquisa também colocou o jovem entre os concorrentes ao Prêmio Jovens Profissionais APESB, ampliando o alcance do trabalho desenvolvido durante o mestrado.

Embora a passagem por Portugal tenha ocorrido especificamente para o congresso, a experiência também proporcionou um contato com uma realidade diferente da que ele conhece no Ceará.

“Aqui em Portugal foi apenas a experiência do congresso, no entanto, gerou um choque entre as realidades, mas que com muito esforço e dedicação se alcança”, relata.

A apresentação internacional também foi acompanhada por um sentimento de reconhecimento por uma trajetória que começou no interior do Ceará.

“Está hoje em um mestrado acadêmico em uma universidade federal me faz perceber que pude alcançar objetivos que em meados de 2015 pra mim seriam quase impossíveis, hoje é motivo de gratidão poder levar o nome de Quixeramobim para a pesquisa acadêmica a nível internacional”, afirma.

Uma pesquisa que busca chegar à comunidade

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Para Antonio Henrique, desenvolver uma pesquisa acadêmica não significa apenas produzir conhecimento. O contato direto com os moradores fez com que o trabalho assumisse também uma dimensão prática.

Foto: Arquivo pessoal

“Vivenciar uma pesquisa na qual posso mudar de alguma forma a realidade das pessoas, é motivo de muita satisfação, buscar uma mudança de comportamento frente a questão socioambiental é um processo que exige dedicação e resiliência, e com esforço, conseguimos idealizar e realizar o projeto de dissertação no Assentamento Quinim”, conta.

A proposta inclui ainda a produção de uma cartilha educativa como produto tecnológico da dissertação. O material deverá ser entregue posteriormente e tem a função de levar as informações trabalhadas durante a pesquisa para além do ambiente acadêmico.

A escolha pelo tema também está ligada à própria origem do pesquisador. Natural de Jurema, no distrito de Manituba, Antonio Henrique conhece desde cedo uma realidade marcada pelas dificuldades enfrentadas no interior.

O caminho até o mestrado

A chegada ao mestrado foi resultado de uma trajetória que, segundo ele, nem sempre pareceu possível. Em 2012, Antonio Henrique e a família se mudaram para a capital cearense. A mudança foi acompanhada por dificuldades.

“A mudança para capital em 2012, foi um processo difícil quando eu e minha família nos mudamos, passamos por momentos difíceis”, lembra.

Desde cedo, porém, ele afirma ter buscado alternativas para mudar a própria realidade e destaca o apoio recebido da família do Dr. Antônio Machado, já falecido.

“Sempre busquei desde cedo mudar minha realidade, e, a família do Dr. Antônio Machado (in memorian) sempre me ajudaram, mas, foi uma caminhada árdua que muita das vezes parecia algo distante”, relata.

Hoje, estar em um mestrado acadêmico em uma instituição federal representa, para ele, uma conquista que parecia distante em meados de 2015.

Entre o trabalho e a pesquisa

O período inicial do mestrado foi um dos momentos mais difíceis da trajetória acadêmica. Na época, Antonio Henrique trabalhava como analista ambiental e precisava viajar para outro estado a trabalho. A rotina tornou difícil conciliar as atividades profissionais com as aulas e as demandas da pós-graduação.

Foto: Arquivo pessoal

“Acredito que o momento mais complexo desta caminhada acadêmica foi logo no processo inicial, na época, eu atuava como analista ambiental de uma empresa e precisava fazer viagens a trabalho para outro estado, e isso, era um fator determinante, pois, era complicado conciliar às aulas e as viagens a trabalho”, conta.

A situação levou o estudante a tomar uma decisão: continuar no emprego ou aguardar a bolsa de mestrado. Ele optou pela segunda alternativa.

“A minha orientadora Glória Marinho na qual nutro grande carinho e admiração me ajudou bastante, e na época precisei decidir se continuava trabalhando ou se eu aguardava a bolsa de mestrado, optei pela bolsa e foi a partir de então que tudo melhorou, pude me dedicar a pesquisa e foi onde nasceu a paixão pela pesquisa”, afirma.

“O conhecimento é a chave”

Ao falar sobre a própria trajetória, Antonio Henrique também destaca o papel da formação acadêmica para jovens que, assim como ele, vêm do interior.

“Nós conquistamos muitas coisas, nos formamos em uma universidade federal (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará). Além disso, conquistamos coisas antes que pareciam impossíveis, e temos muito mais a conquistar. Podemos ajudar nossos pais, melhor nossa condição de vida”, afirma.

Para ele, o acesso ao conhecimento pode modificar as perspectivas de quem enfrenta dificuldades para continuar estudando.

“Para nós que viemos da realidade do interior e sabemos da dificuldade, acredito que o conhecimento é a chave, o estudo abre portas, nos proporciona experiências, muda a nossa realidade”, destaca.

Próximos passos

A conclusão do mestrado não representa o encerramento da trajetória acadêmica. Atualmente, além de finalizar a dissertação, Antonio Henrique atua na área de consultoria em serviços ambientais e saúde e segurança do trabalho.

Os próximos planos também incluem a continuidade da atuação profissional e a possibilidade de voltar à universidade.

“Atualmente, além da conclusão do mestrado, me dedico a área da consultoria em serviços ambientais e saúde e segurança do trabalho, futuramente devo me dedicar a consultoria ambiental e ao futuro doutorado”, afirma.

A experiência em Portugal, assim, se soma a uma trajetória que começou em Jurema e passou por diferentes etapas de formação até chegar ao ambiente acadêmico internacional. No centro desse percurso está uma pesquisa desenvolvida no próprio Ceará, voltada para problemas enfrentados por comunidades rurais do Sertão Central e para a busca de alternativas que aproximem conhecimento, tecnologia e realidade social.

Em agradecimento, Henrique afirma: “gostaria de agradecer à comunidade Assentamento Quinim e ao presidente Chagas por ter aceito participar do projeto, além disso agradecer a Adna Paulino pelo apoio durante o processo inicial das atividades”.

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