Duas estudantes da Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Dr. José Alves da Silveira, de Quixeramobim, conquistaram o 3º lugar na Feira Regional de Ciências, realizada na última quinta-feira, 24, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), em Quixadá. As alunas Glória Maria Sabino Dias e Laura Gomes Bento, ambas de 16 anos e estudantes do curso de Enfermagem, apresentaram o projeto Empoderamento Feminino e Cidadania: A Educação.
A proposta surgiu a partir da necessidade de relacionar o tema da cidadania com a história das mulheres e a participação feminina em diferentes áreas da sociedade. Durante a pesquisa, as estudantes abordaram assuntos como direitos das mulheres, educação, independência financeira, presença feminina nas ciências e os caminhos históricos percorridos para a conquista de direitos.
Em entrevista ao Quixeramobim Agora, Glória explica que a ideia foi unir diferentes aspectos relacionados à trajetória das mulheres e analisar como a educação pode contribuir para a autonomia e o empoderamento feminino. Segundo ela, o desenvolvimento do projeto também mudou a forma como passou a compreender essas conquistas.
“Hoje temos direitos e liberdades que, em outros momentos da história, eram negados às mulheres, como estudar, trabalhar e tomar decisões sobre a própria vida”, relatou a estudante.
Entre os pontos que mais chamaram a atenção da estudante esteve a diferença entre o período em que as mulheres passaram a ter acesso à educação formal e a posterior conquista do direito ao ensino superior. Ela também destacou a descoberta de histórias de mulheres que contribuíram para a ciência e para a sociedade, mas que ainda são pouco conhecidas.
Para Laura, a educação foi um dos principais eixos da pesquisa. Ela afirma que o estudo do contexto histórico ajudou a compreender como estruturas sociais influenciam a realidade das mulheres e de que maneira o acesso ao conhecimento pode contribuir para mudanças.
As estudantes também produziram materiais para apresentar o trabalho na feira, entre eles um folder educativo e o documentário Mulheres que Inspiram. Laura conta que a produção do documentário foi uma das etapas que mais gostou de desenvolver.
Preparação para a feira
A preparação exigiu organização das estudantes para conciliar as atividades do projeto com a rotina escolar. Glória destacou a produção do caderno de campo como uma das etapas mais trabalhosas, principalmente pelo prazo reduzido para a elaboração do material.
Outro desafio foi selecionar e conferir as informações utilizadas na pesquisa. Mesmo diante das dificuldades, as estudantes afirmam que a troca de ideias e o conhecimento adquirido durante o processo contribuíram para a construção do trabalho.
A orientadora Sâmia Regina da Silva Dantas acompanhou o desenvolvimento do projeto e destacou a evolução das alunas ao longo da pesquisa. Segundo ela, as estudantes passaram de uma postura inicial de apresentação do conteúdo para uma participação mais ativa na construção das próprias reflexões.
“Um dos momentos em que percebi isso foi justamente quando elas passaram a não apenas reproduzir aquilo que haviam pesquisado, mas questionar, relacionar as informações com situações do cotidiano e apresentar suas próprias reflexões”, afirmou.
Sâmia também apontou como desafios a transformação de um tema amplo em uma proposta objetiva e a preparação dos materiais e das apresentações. Para ela, as dificuldades fizeram parte do processo de aprendizagem das estudantes.
Documentário é apresentado em outras escolas
Após a participação na Feira Regional de Ciências, as estudantes deram continuidade à divulgação do projeto. Na sexta-feira, 25, elas realizaram duas apresentações do documentário Mulheres que Inspiram.
Pela manhã, a equipe esteve no Liceu Alfredo Almeida Machado, onde foi convidada por Mayara Albuquerque, do Severinas – Mulheres do Sertão, para apresentar o trabalho. A atividade permitiu que as estudantes compartilhassem a pesquisa com outras jovens e discutissem temas relacionados às histórias, conquistas e desafios enfrentados pelas mulheres.

Ainda no mesmo dia, o projeto foi apresentado na própria EEEP Dr. José Alves da Silveira, para uma turma do 2º ano de Administração. Após a exibição do documentário, as estudantes conduziram uma roda de conversa sobre o papel da mulher na sociedade.
As atividades ampliaram a proposta desenvolvida durante a pesquisa, levando o conteúdo produzido pelas estudantes para outros espaços de diálogo e discussão sobre direitos, respeito, igualdade e protagonismo feminino.

A experiência também despertou em Glória o interesse em continuar desenvolvendo pesquisas e projetos relacionados a questões sociais. Para ela, o processo mostrou que a pesquisa não serve apenas para encontrar respostas, mas também para formular perguntas, desenvolver pensamento crítico e compreender problemas presentes na sociedade.
Ao falar sobre a mensagem que gostaria de deixar para quem conhecer o projeto, Laura resumiu: “Meninas e mulheres, estudem! Sejam independentes e se juntem sempre umas às outras. Juntas somos mais fortes!”.
Resultado
O anúncio do 3º lugar na categoria de Linguagens e Códigos marcou a participação das estudantes na competição. Glória contou que ficou nervosa durante a premiação, especialmente por ser sua primeira experiência em um momento como aquele.
“Quando chamaram nosso projeto, foi uma euforia enorme. Subimos ao palco, recebemos as medalhas e tiramos as fotos”, relatou.
Laura considera o resultado uma conquista coletiva, que envolve não apenas as duas estudantes, mas também a equipe responsável pelo projeto, a escola e as pessoas que contribuíram para a preparação.
Para a orientadora Sâmia, a colocação representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela escola, mas o principal resultado está no aprendizado adquirido pelas estudantes durante a construção da pesquisa.
“Espero que elas levem muito mais do que uma medalha. Espero que levem a certeza de que a voz delas tem valor, que elas são capazes de pesquisar, produzir conhecimento, ocupar espaços e defender aquilo em que acreditam”, afirmou.
