Um projeto desenvolvido por alunos da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Assis Bezerra, em Quixeramobim, conquistou o 1º lugar na categoria de Linguagens e Códigos da Feira Regional de Ciências. A apresentação aconteceu nessa quinta-feira, 24, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), em Quixadá.
Promovido anualmente pela Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede 12), o evento reúne projetos desenvolvidos por estudantes da rede de ensino da região, que apresentam trabalhos em diferentes áreas do conhecimento.
Intitulado “Brasil com ‘S’: cidadania e democracia em diálogo através da exibição de filmes nacionais em escolas públicas de Quixeramobim”, o projeto utiliza o cinema brasileiro como ferramenta de reflexão e debate sobre questões sociais.
A proposta é levar produções cinematográficas nacionais para instituições públicas de ensino, utilizando os filmes não apenas como forma de entretenimento, mas também como instrumento para estimular o pensamento crítico por meio de obras produzidas no Brasil.
Em entrevista ao Quixeramobim Agora, a professora de Arte, artista visual e orientadora do projeto, Morgana Ceballos Feitosa, afirmou que reconhecer e defender a importância da arte, em seus diferentes formatos, como parte essencial da vida é uma das forças que orientam seu trabalho cotidiano.
“Ao me deparar com uma equipe de estudantes empolgados para mergulhar no mundo do cinema, tendo-o como ferramenta de transformação social, fui contagiada”, afirmou.
Segundo Morgana, a construção do projeto ocorreu de forma coletiva, com a participação dos estudantes em diferentes etapas. “Entre conquistas e frustrações, a equipe se apoiou e recalculou todas as rotas necessárias para levar o cinema brasileiro para escolas públicas de Quixeramobim”, relatou.
“O cinema é uma ferramenta pedagógica potente, cada filme é uma janela para a construção de um novo mundo. Dedicar tempo a uma produção cinematográfica nos estimula à reflexão, além de despertar o interesse e a curiosidade sobre temáticas diversas.”
Morgana Ceballos Feitosa, professora e orientadora do projeto.

Cinema como ferramenta de reflexão
O estudante Erick Rian da Silva Oliveira, de 18 anos, da 3ª série, destacou que o cinema pode ultrapassar a função de entretenimento e contribuir para a formação de um olhar mais crítico entre os estudantes.
“Ele instiga os alunos a terem um pensamento mais crítico e a entender o que aquela obra está passando, em especial obras brasileiras, que retratam nossa história, a nossa luta e trazem pautas de extrema relevância”, afirmou.
Rian também destacou o interesse da equipe em ampliar o alcance do projeto para outros espaços além das escolas. “Temos o desejo de expandi-lo não apenas para as escolas, mas também para outros espaços, como associações comunitárias, institutos, CRAS e outros locais públicos”, disse.
“Acreditamos que o cinema, em especial o brasileiro, tem esse poder de trazer para a nossa população um pensamento mais crítico e mais democrático.”
Erick Rian da Silva Oliveira, estudante e apresentador do projeto.
A estudante Deyse Ellen Oliveira Soares, de 17 anos, da 2ª série, explicou que a ideia do projeto surgiu a partir da percepção de que o cinema pode exercer um papel que vai além do entretenimento.
“Um filme consegue apresentar diferentes realidades, provocar emoções e, principalmente, despertar perguntas. A partir disso, pensamos em utilizar as produções nacionais como uma ponte entre o conteúdo escolar e questões presentes na sociedade, criando espaços para que os estudantes pudessem assistir, refletir, dialogar e construir suas próprias opiniões”, afirmou.
Por que “Brasil com S”?
Ao explicar a escolha do nome Brasil com S, Deyse afirmou que o título representa um país plural, marcado por diferentes histórias, culturas, realidades e formas de pensar. “O ‘S’ também remete à ideia de ‘somos’, porque cidadania e democracia não são construídas individualmente. Somos parte da sociedade e também responsáveis por transformá-la. Então, o título representa justamente esse Brasil que somos e que podemos construir juntos”, explicou.
“Quando o estudante vê uma história e acompanha personagens enfrentando situações relacionadas a esses temas, ele consegue perceber como aquilo interfere na vida real. O filme não entrega necessariamente uma resposta; ele provoca o aluno a pensar e formular a própria.”
Deyse Ellen Oliveira Soares, estudante e apresentadora do projeto.
Desafios durante o desenvolvimento
De acordo com Morgana, um dos principais desafios enfrentados pela equipe foi administrar o tempo, já que o projeto é desenvolvido paralelamente às aulas regulares da escola.
“Organizar semanalmente horários para reuniões e execução das ações do projeto exige montar um quebra-cabeça de demandas que, por mais desafiador que seja, não interfere negativamente na concretização dos planos. Sou feliz por ser orientadora de uma equipe dedicada a fazer o projeto acontecer”, afirmou.
Para Rian, uma das etapas mais desafiadoras foi levar o projeto para outras escolas e observar como os estudantes receberiam a proposta.
“Fomos para esses espaços sem saber como os alunos iriam receber esse projeto. Mas, ao mesmo tempo em que foi desafiador, foi também aliviador para nós”, relatou.
Segundo o estudante, a equipe encontrou alunos que participaram das atividades e puderam discutir temas abordados nas obras exibidas, como causa animal, racismo, xenofobia e outras questões sociais.
Deyse afirmou que outro desafio foi transformar a ideia inicial em uma proposta que produzisse resultados além da exibição dos filmes.
“Não queríamos apenas exibir filmes, queríamos que cada sessão tivesse um propósito e gerasse reflexão. Tivemos que pensar na escolha das obras, na realidade de cada escola e, principalmente, em como transformar o momento após o filme em um espaço verdadeiro de diálogo”, explicou.
Próximos passos
A orientadora Morgana afirmou que a equipe pretende fortalecer o projeto e ampliar as parcerias com instituições públicas de Quixeramobim para além do ambiente escolar.
“Estamos em diálogo e em processo de organização para as próximas exibições. Desejamos também ampliar as nossas discussões, acrescentando às temáticas já trabalhadas, violência e abandono animal, racismo estrutural e xenofobia, diálogos sobre inclusão, diversidade e os direitos das mulheres”, afirmou.
Escola também conquista 1º lugar no SerTão Geek
Além do resultado na Feira Regional de Ciências, a Escola Assis Bezerra também conquistou o 1º lugar na categoria Cosplay do SerTão Geek. A premiação foi obtida pelo estudante que interpretou o personagem Tanjiro, do anime Demon Slayer.

