Entre passes, sonhos e ensinamentos, o futebol se tornou muito mais que um esporte na vida de Júnior e Felipe Neto: virou um elo de família. Pai e filho compartilham a mesma paixão pelos gramados e carregam, dentro e fora de campo, uma história marcada por incentivo, dedicação e companheirismo. O amor do pai pelo futebol ultrapassou gerações e hoje inspira os passos do filho, que segue construindo sua própria trajetória no esporte.
“Me destaquei pela garra dentro dos jogos, chegando ao time sub-20 da cidade, onde disputamos o Campeonato Cearense. Depois, consegui ser chamado para o futsal da seleção do município. Foi um feito inédito no futsal: fui o primeiro jogador do interior a atuar profissionalmente pela seleção municipal. Depois disso, vieram muitos campeonatos e conquistas no esporte”.
Júnior destaca que o futsal é uma modalidade que lhe proporciona “muitas emoções e adrenalina” e confessa ser muito grato ao esporte. Entretanto, afirma que se identifica mais com o futebol de campo. Segundo ele, a modalidade sempre foi sua grande paixão. “O futebol me trouxe mais oportunidades e me levou a muitos lugares e conquistas. Por isso, prefiro o futebol.”
Atualmente, Júnior faz parte da seleção de futsal de Quixeramobim e disputa duas importantes competições. Ele destaca que está feliz em retornar ao futsal e à seleção do município. “É um momento muito importante para nosso time. Vejo isso como uma reestruturação e um movimento importante de retomada do futsal da nossa cidade, que por muitos anos viveu grandes glórias. Fazer parte dessa retomada também é uma forma de gratidão a tudo que essa modalidade fez por mim.”
O atleta afirma que viveu momentos marcantes ao longo da carreira, como sua primeira participação em um Campeonato Cearense profissional e sua atuação pela seleção de futsal. Porém, destaca que o momento mais importante de sua trajetória foi a conquista do título do Intermunicipal de Futebol, em 2019, na Arena Castelão, defendendo a cidade de Quixelô.
“Naquela ocasião, tive a honra de disputar quatro jogos na Arena Castelão, recém-reformada para a Copa do Mundo no Brasil. Marquei três gols, sendo um deles na grande final, em uma cobrança de falta que ficou marcada na história da cidade e da região Centro-Sul. Essa conquista foi um divisor de águas na minha vida e trouxe muitas outras oportunidades”, relembra.

“Sem dúvidas, o esporte transformou minha vida. Me direcionou para o caminho da mudança e da prosperidade. Hoje, minha vida é totalmente ligada ao esporte: meu trabalho, minha família, meus amigos e meus projetos. O esporte foi, para mim, uma ferramenta de transformação”, afirma.
Júnior ressalta que ver o filho seguindo o mesmo sonho desperta uma mistura de emoções. “Orgulho, felicidade, responsabilidade e realização. Meu filho tem características e habilidades próprias, algo nato. Muitas pessoas acham que fui eu quem o treinou ou que o influenciei diretamente por viver nesse meio, mas não é assim. A vontade e o foco dele são incríveis e isso nos fortalece ainda mais para lutar ao lado dele nessa caminhada.”

Ele destaca ainda que enxerga semelhanças entre o “Júnior” do início da carreira e o Felipinho de hoje. “Somos parecidos em algumas coisas. O sonho de ser jogador e viver disso é o que mais nos aproxima.”
Ao ser questionado sobre os conselhos que faz questão de transmitir ao filho dentro e fora das quadras, Júnior afirma que hoje seu maior papel é aconselhá-lo e acompanhá-lo em suas atividades. “Humildade, determinação e foco são qualidades imprescindíveis para um atleta em formação.”
Júnior afirma que sente orgulho ao perceber que, além de referência no esporte, também se tornou inspiração dentro de casa. “Hoje não é fácil ter essa responsabilidade de ser referência, mas fico feliz pelo carinho que recebo de muitas pessoas e espero retribuir de alguma forma.”
“Somos amigos, parceiros e companheiros. Nossa relação vai além de pai e filho, temos muitas conexões. Na verdade, meu filho é muito melhor do que eu. É um ser humano incrível”.
Segundo Júnior, Felipe Neto é uma criança “muito ativa”. Além do futebol, vive a infância como qualquer outra criança. “Em tudo que faz, ele coloca o futebol. Desde a barriga da mãe, ele acompanha esse universo, por isso acredito que goste tanto.”
Júnior relembra que, quando Felipinho começou a andar, já corria atrás de uma bola e chamava atenção pelo chute forte. Ele também recorda uma viagem para outra cidade, quando o filho participou de um treino e já demonstrava talento dentro de campo.
O jogador acredita que sua rotina no futebol influenciou diretamente na paixão do filho pelo esporte. No entanto, ressalta que, com o tempo, Felipinho passou a trilhar sua própria caminhada.
Júnior afirma que é muito gratificante acompanhar a evolução do filho ainda tão jovem. “A cada dia isso também se torna uma responsabilidade maior no acompanhamento, porque são muitas situações e desafios que precisam ser resolvidos para o crescimento dele.”
Ele lembra que existem muitas histórias engraçadas e emocionantes envolvendo os dois dentro do futebol. Entretanto, uma das mais marcantes aconteceu durante uma viagem para Minas Gerais.

“Fizemos uma viagem para Minas Gerais, onde ele passou uma semana em avaliação no Atlético Mineiro. Ele treinou muito bem e todos acreditavam que seria aprovado. Porém, ao final, pediram para que ele retornasse depois. Ele ficou muito triste e chorou bastante no aeroporto. Conversei com ele e disse que aquilo iria mudar. Então, ele enxugou as lágrimas e afirmou que seria aprovado na próxima oportunidade. Uma semana depois, foi aprovado no Fortaleza e também no Fluminense, optando pelo Fortaleza pela logística. Até hoje está em um grande clube. A resiliência dele depois disso me marcou muito”, relata.
Júnior afirma ainda que sua relação com o filho dentro das quadras é, acima de tudo, uma relação de pai e filho. Entretanto, admite que costuma oferecer algumas orientações mais voltadas ao lado psicológico e a pequenos ajustes técnicos. “Me policio muito para deixar os treinamentos por conta do clube e não interferir.”

“É uma preparação compartilhada com a mãe dele, minha esposa, que está sempre muito presente. Juntos, cobramos dele a manutenção dos ensinamentos e valores que passamos. É uma preparação baseada no diálogo e na educação”, destaca.
Ao ser questionado sobre o maior sonho em relação ao futuro de Felipe no futebol, Júnior afirma que o sonho agora pertence ao filho. “O sonho não é mais meu, agora vivemos o sonho dele. E, para que isso se torne realidade, não medimos esforços. Claro que fazemos isso porque, além de um bom atleta, ele também é um grande filho, um excelente aluno e tira ótimas notas na escola. Isso nos motiva ainda mais.”
“Confesso que sinto muito orgulho e me emociono sempre, inclusive agora durante esta entrevista. Mas a responsabilidade com ele fala mais alto neste momento, porque temos um filho de 10 anos em uma das maiores capitais do país, construindo seu destino diariamente e convivendo com muitos fatores aos quais precisamos estar atentos para que ele tenha êxito”, finaliza.
