A presidente da quadrilha junina Raízes Nordestina, Nilda Fernandes, de Quixeramobim, compartilhou um pouco da sua trajetória no universo das festas juninas. Segundo ela, sua primeira experiência como quadrilheira foi justamente na Raízes, grupo que já soma 20 anos de história. A declaração foi dada durante participação no quadro Café no Ponto, da SerTão TV e transcrita para estreia do Nossa Gente, Nossa História.
Reconhecida recentemente como mestra da cultura no município, Nilda afirma que, ao longo dessas duas décadas, ficou apenas dois anos sem dançar. Natural de Quixeramobim, ela conta que, após a morte do pai, se mudou para Quixadá, onde fundou sua própria quadrilha, inicialmente chamada de Milho Verde.
“Dancei em muitas outras quadrilhas e, quando saía para me apresentar, chamava várias cidades, menos Quixeramobim. Mas eu sempre dizia: ‘vou voltar para a minha cidade e montar uma quadrilha lá’. E assim eu fiz”, relembra.

Com duas décadas dedicadas ao movimento junino, Nilda define o São João como um sentimento de amor. “Não posso ouvir uma sanfona ou um zabumba que já fico totalmente animada”, diz. Ela também destaca que sua casa sempre foi ponto de encontro de quadrilheiros.
“Às vezes até minha filha reclama: ‘eita, mãe, até no meu quarto’. É cheio de roupa, chapéu… Quando estamos em época de apresentação, o pessoal vai lá para se maquiar e se arrumar. Minha casa virou casa de quadrilheiro”, conta, em tom bem-humorado.
Ao falar sobre sua trajetória, Nilda destaca o impacto que teve na formação de outros integrantes. Entre eles, Natália Sousa, que já foi reconhecida como a melhor noiva do Ceará. “Posso dizer que quase todos os quadrilheiros de Quixeramobim já passaram por mim”, afirma.
Ela também ressalta os desafios de manter uma quadrilha ativa. “Dá muito trabalho, porque eu faço praticamente tudo sozinha. Vou atrás dos integrantes, converso com os pais… Agora estamos montando uma sede no bairro, para tirar esse movimento da minha casa e ficar mais perto dos brincantes”, explica.
Sobre a parte financeira, Nilda diz que está sempre em busca de patrocinadores e destaca o apoio do poder público municipal. “A prefeitura sempre esteve aberta e acompanhando o nosso trabalho”, afirma.
Mesmo diante das dificuldades, ela garante que nunca pensou em desistir, apesar de já ter recebido conselhos nesse sentido. “É muito prazeroso. Ouvir um ‘tia’ aqui, um ‘tia’ ali, isso aumenta minha autoestima”, diz.
A paixão pelo São João também está presente na família.
“É engraçado, porque no meu casamento meu esposo também era quadrilheiro, e nossa filha seguiu o mesmo caminho. Está no sangue. Em 2024, ela foi eleita melhor noiva do Maciço de Baturité, e isso só aumenta meu orgulho”, destaca.
Sobre a rivalidade entre grupos, Nilda afirma que ela fica restrita ao momento das apresentações. “Quando minha quadrilha sai de quadra, eu estou lá torcendo por Quixeramobim, pelos melhores noivos”, conta.
Para ela, o movimento junino é marcado pela união. “Quadrilha é amor e paz. Apesar da rivalidade, no final todo mundo se ajuda”, afirma.
O reconhecimento como mestra da cultura também é motivo de orgulho. “É uma honra muito grande. Sou muito grata ao secretário de Cultura, ao prefeito, ao vice-prefeito… Esse reconhecimento dá ainda mais gás para continuar”, ressalta.
Por fim, ela demonstra preocupação com a continuidade da tradição.
“O quadrilheiro precisa começar desde pequeno. Se não for assim, não cria o amor pelo São João. Vai só pela folia. Quem ama de verdade dança de qualquer jeito. Isso precisa ser cultivado”, conclui.
