O ex-estudante Matheus Emanoel Feitosa Soares, de 20 anos, formado na Escola Profissionalizante Doutor José Alves da Silveira, em Quixeramobim, no Sertão Central, conquistou aprovação no curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Em entrevista, o jovem relatou que, ao ver o resultado, o sentimento predominante foi de alívio. “Em um primeiro momento, o sentimento predominante foi o de alívio, seguido de uma eufórica felicidade. Mas acho que o primeiro sentimento predominou, porque a tensão desse processo faz com que a gente fique muito pressionado”, afirmou.
Matheus destacou que um dos maiores desafios durante a preparação foi a falta de materiais de exatas. “Na escola pública, por mais dedicados que os professores sejam, ainda é um sistema muito sucateado nessas áreas”, disse. Ele também ressaltou a dificuldade de conciliar trabalho e estudos, além de manter a constância nos momentos de crise.
Ex-aluno do curso técnico em Logística, Matheus explicou que sua rotina de estudos era voltada para Química, Biologia, Física e Redação. Dessa forma, conseguia revisar conteúdos de diferentes níveis de complexidade ao mesmo tempo, já que o período de preparação para o vestibular da Uece é relativamente curto, ocorrendo a cada seis meses.
Segundo o jovem, “como o dinheiro era curto, assinei dois cursinhos mais em conta: um para Química, que incluía algumas aulas de Biologia e Física, e um para Redação”. Para a primeira fase do vestibular, utilizava o canal Rota do Enem, que, apesar de não ser específico para a Uece, oferecia conteúdo completo nas disciplinas.
Segundo Matheus, a constância foi decisiva para a aprovação em um curso tão concorrido. “Mesmo com todas as adversidades, mesmo que eu tivesse pouco tempo no dia, eu estudava o que dava. Priorizava a resolução de questões e os assuntos mais recorrentes”, relatou.
Ele escolheu a Uece pelo renome, pelas notas máximas em avaliações nacionais e pelo incentivo científico-acadêmico. “A universidade pública, sobretudo a Uece, é a meta de qualquer estudante da rede pública”, afirmou, acrescentando que está ansioso para vivenciar na prática a rotina da Medicina e da vida acadêmica.
Matheus também ressaltou a importância do tema da redação proposto pela instituição, que celebrou os 50 anos da Uece. “Exaltar as contribuições acadêmicas, culturais e sociais desta universidade é indispensável”, disse. Ele avaliou ainda que o nível da prova está cada vez mais elevado. “A primeira fase considero um nivelador, principalmente pelas oito questões de Física, que estão vindo em nível ITA/IME”, observou.
Em mensagem aos jovens que enfrentam dificuldades semelhantes, Matheus deixou um conselho:
“Estamos inseridos em um sistema que seleciona sonhos, metas e objetivos. E não, não há vaga para todo mundo. Nadar contra a maré é muito exaustivo, mas, para superar essa adversidade, o estudo, a perseverança e a força de vontade são fundamentais. Aos jovens como eu, que precisaram trabalhar para sobreviver, estudar e tirar força de onde não tinham para continuar, desejo que não desistam. Estudem, se informem, sejam antenados. Vocês são capazes de chegar muito longe. E, ao sistema educacional, espero que a educação possa ser um direito, na prática, e não um privilégio. Todos devem receber a oportunidade de cursar o ensino superior”.
Sobre o vestibular da Uece
O vestibular da Uece acontece duas vezes ao ano, para ingresso no 1º e 2º semestres. É dividido em duas fases: a primeira com 85 questões objetivas de conhecimentos gerais; e a segunda composta por uma redação e três provas específicas de acordo com o curso escolhido, além de prova de habilidades específicas para Música.

