Entre conversas descontraídas, memórias e a rotina de quem há décadas vive do comércio popular, Maria José de Moraes Paula, a Dona Mazé, resume sua trajetória com simplicidade: “sou feliz com a minha banquinha”.
A comerciante, uma das figuras mais tradicionais do centro de Quixeramobim, construiu sua vida ao redor das vendas de confecções e hoje soma quase meio século de dedicação ao ofício. No espaço onde trabalha diariamente, na antiga Praça da Cobal, ela não apenas vende roupas: coleciona histórias, amizades e lembranças de uma vida inteira.
“Eu tô na minha saúde, tô muito feliz. Tenho o que comer, não me falta nada. Graças a Deus”, afirma, em tom de gratidão, durante entrevista à coluna Nossa Gente, Nossa História, do quadro Café no Ponto, da SerTão TV.
Da sacola à banca: o início de uma trajetória
Natural de Quixeramobim, Dona Mazé começou no comércio ainda jovem, aos 18 anos. Antes de ter ponto fixo, trabalhava como sacoleira, percorrendo caminhos com mercadorias até encontrar no pequeno espaço de vendas a possibilidade de estabilidade.
Com o tempo, montou uma banca simples, que foi crescendo aos poucos até se consolidar como referência no comércio local. Hoje, ela contabiliza cerca de 48 anos de atuação no ramo de confecções, tendo passado por lojas e, principalmente, pelo próprio negócio.
“Eu comecei como sacoleira e fui criando meu jeito de trabalhar. A banca foi crescendo devagar, mas foi dando certo”, relembra.
Trabalho, família e superação
A história de Dona Mazé também é marcada pela luta para criar os quatro filhos. O comércio sempre foi, segundo ela, o principal meio de sustento da família e também a base para garantir estudo e oportunidades.
Entre as conquistas, ela destaca com orgulho a formação de um dos filhos em Engenharia pela Universidade de Fortaleza (Unifor), resultado de anos de esforço e dedicação.
“Tudo que eu fiz foi pensando neles. Trabalhei muito, mas valeu a pena”, conta.
Uma rotina que virou prazer
Há cerca de 25 anos instalada no mesmo ponto comercial, Dona Mazé transformou a banca em um espaço de convivência. Clientes antigos se tornaram amigos, e a relação com o público vai além da compra e venda.
Mesmo com a rotina intensa, que inclui ir e voltar de moto todos os dias, ela garante que nunca perdeu o gosto pelo trabalho. Pelo contrário: diz que se sente melhor quando está na banca do que em casa.
“No dia que eu não venho, eu fico triste. Isso aqui pra mim é uma terapia”, afirma.
A comerciante lembra que chegou a ser orientada por um médico a manter a rotina fora de casa, justamente pelo bem-estar que o trabalho lhe proporciona, especialmente após a morte do esposo, há cerca de sete anos.
Memórias, desafios e vida no comércio
Ao longo dos anos, Dona Mazé acompanhou mudanças no comércio e no comportamento dos clientes. Da época do dinheiro trocado ao cartão e transferências, ela se adaptou sem perder o jeito simples de lidar com as pessoas.
Nem tudo, porém, foi fácil. Ela relembra episódios de inadimplência e até furtos, mas prefere destacar os bons momentos e a confiança construída com a maioria dos clientes.
“Tem gente boa demais. Muita gente que compra comigo há anos”, diz.
Mesmo com desafios, Dona Mazé mantém um discurso de gratidão. Vive sozinha na maior parte do tempo, mas afirma não se sentir só. A rotina na banca, segundo ela, é o que mantém sua energia e disposição.
“Eu sou feliz aqui. Tenho minha saúde, meu trabalho e o que comer. Graças a Deus”, resume.
Uma vida inteira no mesmo lugar
Ao longo de décadas, a banca de Dona Mazé se tornou mais do que um ponto comercial: virou parte da memória afetiva de Quixeramobim. Entre clientes, amigos e lembranças, ela segue firme no mesmo lugar, onde diz não pretender parar tão cedo.
“Eu gosto daqui. Enquanto eu puder, eu fico”, conclui.

