O município de Quixeramobim, no Sertão Central, avançou nas tratativas para viabilizar a construção de um complexo aeroportuário 100% privado, com investimento estimado em R$ 91 milhões. A gestão municipal negocia com o Grupo Aeropark Camboriú, de Santa Catarina, para que a empresa assuma o projeto e participe da implantação do equipamento no município.
As informações foram confirmadas pelo secretário de Desenvolvimento Econômico de Quixeramobim, Afrânio Feitosa, em entrevista ao jornal O POVO. Segundo o gestor, uma reunião realizada na terça-feira, 8, serviu para apresentar formalmente aos representantes do grupo catarinense o projeto previsto para o município.
O objetivo da Prefeitura é reproduzir em Quixeramobim um modelo semelhante ao desenvolvido pelo grupo em Camboriú (SC), que integra um terminal aeroportuário e uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
Projeto prevê pista de 1,8 mil metros
A proposta para Quixeramobim prevê a implantação de uma pista com 1,8 mil metros de extensão, em uma área de aproximadamente 70 hectares, com capacidade para receber aeronaves comerciais bimotores de grande porte, como o Boeing 737.
A estrutura deverá atender uma população estimada entre 750 mil e 800 mil habitantes, distribuída por cerca de 22 municípios em um raio de 50 quilômetros.
A área destinada ao empreendimento já passou por levantamentos topográficos. A localização exata, no entanto, não foi divulgada por questões estratégicas. O terreno fica nas proximidades de equipamentos considerados estratégicos para o projeto de desenvolvimento logístico do município, como o Porto Seco, o Terminal Multimodal e Multipropósito de Cargas José Dias de Macêdo e a futura ZPE.
Prefeitura pretende doar terreno
O modelo em negociação prevê que o município participe do empreendimento por meio da doação da área para instalação do complexo, enquanto os investidores privados ficariam responsáveis pela construção, operação e administração do aeroporto.
Diferentemente dos aeroportos regionais integrantes da malha pública estadual, o equipamento de Quixeramobim está sendo planejado desde o início como um empreendimento da iniciativa privada.
De acordo com Afrânio Feitosa, uma segunda reunião entre a Prefeitura e o Grupo Aeropark Camboriú já está prevista para discutir as exigências e demandas de ambas as partes. Os detalhes das negociações ainda não foram divulgados.
Outros investidores também estão em negociação
Além do grupo catarinense, a Prefeitura mantém conversas com outros investidores nacionais e internacionais interessados no projeto. Entre eles estão empresários da Espanha, cujos nomes não foram divulgados em razão de acordos de confidencialidade.
A gestão municipal também avalia a possibilidade de participação de empresários do próprio Sertão Central em uma sociedade com o grupo catarinense, contribuindo para o financiamento e a operação do empreendimento.
Aeroporto como parte do polo logístico
A implantação do aeroporto está inserida em uma estratégia mais ampla de transformação de Quixeramobim em um polo logístico regional. A chegada da Transnordestina ao município é considerada um dos principais vetores para a atração de novos investimentos, enquanto a implantação de uma ZPE e a estrutura do Porto Seco fazem parte dos planos de expansão econômica local.
A expectativa é que o aeroporto possa atuar tanto no transporte de passageiros quanto no escoamento de cargas, aproveitando a proximidade com os demais equipamentos logísticos.
O secretário destacou que caberá aos investidores avaliar a viabilidade econômica e operacional do empreendimento, mas defendeu que a estrutura poderá gerar impactos que vão além da quantidade de empregos diretos.
“É uma capacidade grande que vai atender o mercado regional como um todo. É um projeto ousado, mas são investimentos estruturantes que o município, o Ceará e o Nordeste já comportam e exigem”, afirmou Afrânio Feitosa.
A proposta, portanto, é integrar transporte aéreo, ferroviário e de cargas em uma mesma estratégia de desenvolvimento, utilizando a posição de Quixeramobim no Sertão Central para ampliar a conexão da região com outros mercados.
