Eu vivi para contar esta história com riqueza de detalhes, clareza e sem tergiversar. A Rádio Campo Maior AM 840 foi inaugurada numa quinta-feira memorável, 19 de maio de 1988. Sua sede funcionava no número 10, Altos, da Rua Dr. Monteiro Filho, no coração de Quixeramobim, de onde ecoaram sonhos, notícias e vozes que marcaram uma geração inteira. Próximo dali, na Praça Cel. João Paulino, uma grande festa celebrou de forma brilhante aquele acontecimento histórico para a radiofonia do município.
Vindo da coirmã Rádio Cristal, um mês depois, no domingo, 19 de junho, lá estava eu — garoto franzino — ao lado do colega Edson Antônio (Tianguá), sob o comando de Crisanto Teixeira (in memoriam), realizando a primeira transmissão esportiva da emissora, via Embratel, diretamente do Maracanã: o primeiro jogo decisivo do Campeonato Carioca de 1988 — Flamengo 1 x 2 Vasco. O cruzmaltino chegou à decisão após conquistar a vaga pelo segundo turno.
A final foi disputada em dois jogos eletrizantes no Maracanã. No jogo de ida, realizado no domingo, 19/06/1988, o Vasco venceu o Flamengo por 2 a 1, com gols de Bismarck e Romário; Bebeto descontou para o rubro-negro. Já no jogo de volta, disputado na quarta-feira, 22/06/1988, o Vasco garantiu o bicampeonato carioca ao vencer por 1 a 0.
E aí vem o fato mais inusitado daquela decisão histórica: quem marcou o gol do título? Cocada! Ele entrou em campo aos 41 minutos do segundo tempo, marcou aos 44 e foi expulso aos 45 pelo árbitro Aluísio de Oliveira Viug, diante de 31.816 pagantes. A decisão ainda teve duelo pesado entre Romário e Renato Gaúcho, confusão generalizada e até uma voadora de PC Gusmão em Alcindo, aumentando ainda mais a tensão daquela final inesquecível. No meio de todo aquele cenário explosivo, Cocada brilhou com o gol que garantiu o título e colocou, mais uma vez, o Vasco na história do futebol carioca.
Passaram-se 38 anos… e aqui estou eu, guardião da mesma história — única, verdadeira e vivida em cada detalhe. Minha chegada à emissora aconteceu por intermédio de Ricardo Machado, e tive a honra de dividir espaço com grandes nomes como Hélio Campos, Pedro Raimundo, Sergismundo Filho, Rosálio Daniel e Jango Weltan (in memoriam). Recordações que o tempo não apaga e que permanecem vivas na memória de quem fez daquela época um capítulo inesquecível da comunicação.
Parabéns a todos que, ainda hoje, seguem preservando essa bela história de sucesso do rádio, mantendo viva sua essência, tradição e importância na vida das pessoas.

