Teve um tempo em que fazer rádio era quase uma coreografia.
Na década de oitenta, cada música no ar era resultado de atenção, agilidade e muito compromisso. Nada de um clique. Tudo acontecia ali, no calor do estúdio.
O controle de áudio parecia um verdadeiro painel de nave. Cartucheiras alinhadas, mesa de som sempre viva, gravador de rolo girando, toca-fitas prontos e dois picapes preparados para rodar os LPs. Tudo ao mesmo tempo.
E no meio disso, profissionais que faziam a mágica acontecer.
Cideral, Gilvan, o Bilinha, Pexico (in memoriam) e Cleonor, o Galeguinho. Operadores atentos a cada segundo, cuidando para que nada falhasse. Era concentração total.
Enquanto isso, na discoteca, Tatuzinho e Roberto Carlos viviam outra correria. Era pesquisa, escolha de músicas e uma pressa boa para chegar ao estúdio com o pedido do ouvinte já na ponta da agulha.
E o ouvinte estava no ar.
O telefone tocava, o pedido vinha e os dois picapes já estavam preparados, prontos para não deixar o silêncio tomar conta.
No programa matinal, então, era um verdadeiro teste de atenção. Tudo acontecia ao mesmo tempo e cada detalhe importava.
Hoje, tudo mudou.
Com um clique, a música entra, o comercial roda e a programação segue quase sem esforço.

