A Cooperativa de Trabalho da Indústria de Calçados de Quixeramobim (COCALQUI) divulgou, nesta sexta-feira, 6, uma nota à imprensa para apresentar seu posicionamento diante da mobilização de greve anunciada nos últimos dias por trabalhadores da unidade. No comunicado, a direção afirma cumprir integralmente a legislação trabalhista e nega as acusações de descumprimento de direitos dos colaboradores.
A cooperativa também questionou parte das reivindicações apresentadas no movimento, argumentando que alguns pontos classificados como direitos trabalhistas seriam, na realidade, benefícios concedidos pela empresa por iniciativa própria, além das exigências previstas em lei. A direção defendeu que a distinção seja compreendida pelos trabalhadores e pela sociedade.
Outro ponto abordado no documento diz respeito à participação de pessoas externas à cooperativa na mobilização. A COCALQUI afirma que o movimento estaria sendo “influenciado por pessoas e políticos com interesses próprios”, que, segundo a empresa, não estariam relacionados às demandas dos funcionários. A nota também menciona a ocorrência de ofensas pessoais e manifestações de ódio direcionadas aos gestores.
Ao justificar sua importância para a economia local, a cooperativa destaca a geração de mais de 6 mil empregos diretos e sua contribuição para a renda de milhares de famílias de Quixeramobim e municípios da região. O comunicado ainda ressalta o apoio prestado pela instituição a entidades filantrópicas do município.
A direção também contextualizou a situação da indústria calçadista no cenário nacional, apontando a concorrência com fábricas asiáticas como um dos fatores que afetam o setor. Segundo a empresa, enquanto indústrias de diferentes regiões enfrentam dificuldades e registram redução de postos de trabalho, a COCALQUI mantém suas atividades e busca ampliar sua atuação.
Sobre as condições oferecidas aos colaboradores, a cooperativa cita investimentos realizados nos últimos anos em novos galpões, estacionamentos, banheiros e equipamentos de segurança. A empresa também afirma que oportunidades de crescimento profissional são concedidas com base no mérito e que não tolera práticas de assédio ou discriminação.
Em relação à mobilização, a COCALQUI declarou respeitar o direito de manifestação e informou que a operação continua funcionando normalmente. A direção orientou os trabalhadores a manterem a rotina de trabalho, mas afirmou estar atenta às reivindicações consideradas legítimas e aberta à construção de soluções por meio dos canais formais de negociação.
Ao encerrar o posicionamento, a cooperativa reafirmou que a geração de empregos e o pagamento em dia de salários e encargos estão entre seus principais compromissos.
Entenda a situação
Nas últimas semanas, manifestações de cooperados da COCALQUI em defesa da realização de uma greve passaram a circular nas redes sociais. Conforme apurado pelo Quixeramobim Agora, entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão a concessão de vale-alimentação e vale-transporte.
Uma possível paralisação das atividades estaria prevista para a próxima semana, caso não haja avanço nas negociações entre os representantes do movimento e a empresa.
Nesse contexto, o Sindicato dos Sapateiros do Ceará, após acompanhar as reivindicações dos trabalhadores, passou a promover manifestações em frente à sede da cooperativa, com o objetivo de mobilizar os cooperados em torno das pautas apresentadas.
Confira a nota na íntegra:
NOTA À IMPRENSA
A COCALQUI vem a público esclarecer seu posicionamento diante da mobilização de greve divulgada nos últimos dias.
Cumprimos a lei. A COCALQUI cumpre integralmente a legislação trabalhista e as obrigações com seus colaboradores. As acusações de descumprimento de direitos não correspondem à realidade e serão esclarecidas nos canais adequados.
Direitos e benefícios são coisas diferentes. Parte das reivindicações apresenta como direito legal o que, na verdade, são benefícios concedidos pela empresa por iniciativa própria, além do que a lei exige. É importante que trabalhadores e sociedade tenham clareza sobre essa diferença.
Sobre a origem do movimento. O movimento está infiltrado por pessoas e políticos com interesses próprios, alheios aos interesses dos nossos colaboradores. Lamentamos que as reivindicações tenham chegado acompanhadas de ofensas pessoais e manifestações de ódio contra gestores. Esse tipo de conduta não contribui para o diálogo, compromete a legitimidade do debate e pode ter consequências legais.
Quem somos. Com mais de 6.000 empregos diretos, a COCALQUI vem transformando a vida de milhares de famílias e a economia de Quixeramobim e região. Também apoiamos diversas entidades filantrópicas da nossa cidade.
Na contramão de um setor em crise. A indústria calçadista brasileira enfrenta a concorrência predatória de fábricas asiáticas e vem encolhendo em todo o país. Só no Ceará, milhares de trabalhadores do setor já perderam o emprego. Enquanto isso, a COCALQUI segue empregando e buscando crescer.
Mérito e respeito. Aqui dentro, o crescimento é fruto do mérito. Centenas de colaboradores já ascenderam a cargos com melhores salários, sem qualquer distinção de raça, gênero, religião ou orientação sexual. A empresa não tolera nenhum tipo de assédio.
Operação e diálogo. A COCALQUI respeita o direito de manifestação e informa que suas atividades seguem normalmente. Orientamos nossos colaboradores a manterem sua rotina de trabalho. A COCALQUI está atenta às pautas legítimas apresentadas por seus trabalhadores, construindo soluções através dos caminhos formais de negociação que os representam, sempre dentro da legalidade e da boa ética.
Investimento e compromisso. Nos últimos anos, fizemos investimentos expressivos em novos galpões, estacionamentos, banheiros e segurança, para melhorar os ambientes de trabalho. Seguimos buscando meios de melhorar a renda dos trabalhadores, e continuaremos, sem jamais comprometer a viabilidade da operação.
Nosso maior compromisso sempre foi a geração de empregos e o pagamento em dia de salários e encargos. Disso, não abriremos mão.
Quixeramobim (CE), 6 de novembro de 2026.
Diretoria da COCALQUI

