Há pouco mais de um ano morando em Quixeramobim, a aposentada Margarida, natural de Senador Pompeu, se tornou uma figura conhecida nas ruas da cidade por um motivo inusitado: a paixão por se caracterizar como diferentes personagens. Vestida de policial, bombeira, marinheira, anjo, Nossa Senhora, noiva e, principalmente, Mamãe Noel, ela transforma datas comemorativas e momentos do cotidiano em oportunidades para arrancar sorrisos e registrar fotos com quem a encontra.
A história foi compartilhada durante entrevista ao quadro “Nossa Gente, Nossa História“, da coluna Café no Ponto, da SerTão TV.
Margarida contou que chegou a Quixeramobim em 2024, atendendo ao convite de um dos filhos que mora no município. Antes disso, viveu durante nove anos em Senador Pompeu. A mudança, segundo ela, foi motivada pelo desejo de estar mais próxima da família.
Apesar da fama recente na cidade, o gosto por interpretar personagens vem desde a infância.
“Desde criança eu gostava de imitar as coisas. Fazia desenhos, escrevia na areia e inventava personagens.”
A tradição mais conhecida acontece todos os anos, nos dias 23 e 24 de dezembro, quando ela veste o traje de Mamãe Noel para distribuir bombons às crianças durante as celebrações e nas praças da cidade. O costume surgiu após uma promessa que fez em oração e, desde então, passou a fazer parte de sua vida.
Além da roupa de Mamãe Noel, Margarida mantém um verdadeiro acervo de fantasias. Entre elas estão fardas inspiradas em policiais, bombeiros e marinheiros, além de roupas de anjo, Nossa Senhora, noiva e outros personagens. Algumas peças são confeccionadas por ela mesma, enquanto outras foram adaptadas de roupas que pertenciam ao filho.
Ela explica que escolhe a caracterização de acordo com a ocasião ou simplesmente quando sente vontade.
“Qualquer dia que eu quiser me arrumar, eu me arrumo”, afirmou.
A personagem também já virou atração nas ruas de Quixeramobim. Segundo Margarida, moradores costumam pedir para fazer fotografias quando a encontram caracterizada, especialmente no período natalino.
Mesmo diante de olhares curiosos ou comentários, ela garante que nunca deixou de fazer o que gosta.
“Se criticar, eu nem ligo. Quando eu gosto de fazer alguma coisa, eu faço até morrer”, declarou.
Durante a conversa, Margarida também relembrou sua trajetória de vida. Trabalhou na agricultura até os 25 anos, morou em cidades como Acopiara, Fortaleza e Juazeiro do Norte, exerceu atividades com bordado e artesanato e afirma ter aprendido diferentes habilidades ao longo da vida, como confeccionar peças e trabalhar com palha.
Hoje, além das caracterizações, participa das atividades do Centro de Convivência do Idoso (CCI) de Quixeramobim. Ela elogia o espaço de convivência, mas acredita que a programação poderia ser ampliada, com mais dias de atividades para os participantes.
Com bom humor e autenticidade, Margarida segue chamando a atenção por onde passa. Para ela, vestir um personagem é muito mais do que colocar uma fantasia: é uma forma de expressar sua criatividade, espalhar alegria e manter viva uma paixão que a acompanha desde a infância.
