A história de Francisco, conhecido por todos como Chico Bacurim, se confunde com a própria história da música popular de Quixeramobim. Aos olhos de quem o vê animando os palcos ao lado do cantor Rodrigo Vaqueiro, poucos imaginam que sua trajetória começou ainda na infância e atravessa mais de sete décadas de dedicação à arte de tocar e levar alegria ao público.
Convidado da coluna “Nossa Gente, Nossa História“, do quadro Café no Ponto, da SerTão TV, Chico relembrou momentos marcantes de sua carreira, desde os primeiros passos na música até os encontros com grandes nomes do forró nordestino.
O músico contou que iniciou sua caminhada aos nove anos de idade, quando o pai, também baterista, improvisou seu primeiro instrumento com peças de automóvel. Desde então, nunca mais deixou a música. Foi por meio dela que construiu sua vida, criou os filhos e garantiu o sustento da família.
Ao longo da entrevista, Chico destacou que nunca enriqueceu, mas também nunca enfrentou dificuldades financeiras graças ao trabalho como músico. “Nunca enriquei, mas também nunca quebrei”, resumiu ao falar da gratidão que sente pela profissão.
Sua carreira passou por diversas bandas da região, mas foi ao lado do cantor Filipão que viveu um dos períodos mais marcantes. Durante 36 anos, percorreu o Ceará e diversos estados brasileiros, acumulando experiências, amizades e histórias curiosas dos tempos de estrada. Entre elas, relembrou episódios de festas tumultuadas e desafios enfrentados durante as viagens, sempre ressaltando que o respeito e a boa convivência fizeram parte de sua trajetória.
A entrevista também revelou a origem do apelido “Bacurim”. Segundo ele, o nome surgiu por brincadeira entre os integrantes da banda de Filipão e acabou se tornando sua marca registrada, conhecida por praticamente todos em Quixeramobim.
Durante a conversa, Chico recordou momentos especiais ao lado de artistas consagrados da música nordestina. Entre eles, destacou os shows realizados com Genival Santos, Eliane, Zé Orlando e Francis Dalva, além da amizade construída com Dominguinhos, a quem descreveu como um homem simples, humilde e acolhedor. O músico guarda até hoje, com orgulho, uma fotografia ao lado do sanfoneiro registrada em Exu, Pernambuco, lembrança que afirma não vender “por dinheiro nenhum”.
Mesmo enfrentando a perda parcial da visão, Chico nunca abandonou a música. Ele contou que aprendeu a conviver com a limitação sem deixar de subir aos palcos e seguir trabalhando. Atualmente, integra a banda de Rodrigo Vaqueiro, grupo do qual faz questão de destacar o ambiente de amizade, respeito e alegria durante as viagens e apresentações.
Outro ponto que marcou a entrevista foi a forte fé do músico. Para ele, Deus sempre esteve presente em cada apresentação e em cada viagem. Antes de subir ao palco ou entrar em um veículo para seguir viagem, Chico mantém o mesmo ritual de oração, pedindo proteção para todos da equipe. Segundo ele, é dessa confiança que vem a energia para continuar tocando com entusiasmo.
Ao falar sobre Quixeramobim, o músico fez questão de enaltecer os talentos da terra. Para Chico Bacurim, o município é um celeiro de grandes artistas e merece reconhecimento pela quantidade de músicos que ajudaram a fortalecer a cultura regional ao longo das décadas.
Mesmo após tantos anos de carreira, ele garante que não pensa em parar. Diz que continuará fazendo o que mais ama enquanto tiver saúde e disposição. “Só deixo a música quando Deus disser que chegou a hora”, afirmou, resumindo a filosofia de vida de quem transformou a paixão pela música em uma história de dedicação, humildade e amor pela cultura popular.
