Entre linhas, tecidos e histórias construídas ao longo de décadas, o nome de Mazé Goré se tornou sinônimo de tradição e acolhimento no comércio de Quixeramobim. Maria José Ferreira da Rocha, de 75 anos, nasceu em 10 de junho de 1950 e atua no Mercado Público a 55 anos, desde 1971. Ao lado do marido, Zé do Cícero, construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela dedicação e pela relação próxima com o povo quixeramobinense. A declaração foi dada durante participação no quadro Café no Ponto, da SerTão TV, e transcrita para a estreia do Nossa Gente, Nossa História.
Mãe de três filhos e de uma neta que considera como filha, Mazé Goré se tornou uma das comerciantes mais tradicionais da cidade, conquistando gerações de clientes através da simplicidade, da fé e do atendimento acolhedor.
Ao ser questionada sobre como começaram as vendas em sua vida, dona Mazé relembrou que, ao se casar, em 1971, havia concluído apenas a quarta série ginasial. Segundo ela, no dia 20 de abril daquele ano, o marido tirou a inscrição comercial e iniciou os trabalhos no mercado público, onde a família permanece até hoje.
“Deus levou ele, mas deixou a minha filha tomando conta de tudo e eu continuo trabalhando, firme e forte”, afirmou.
No Mercado Público da cidade, o casal transformou o ponto de vendas em muito mais do que um espaço comercial. O local se tornou ponto de encontro de clientes, amigos e costureiras que, ao longo dos anos, encontraram em Mazé não apenas produtos, mas também atenção, carinho e um atendimento acolhedor.

“Foi aqui que começamos a nossa vida sem ajuda de ninguém, só com a ajuda do Divino. Não passamos por muitas dificuldades porque meu marido não era vaidoso. Era uma pessoa simples e humilde, e nós vivíamos do que podíamos”, destacou.
Reconhecida pela simpatia e pela forma humana de atender cada pessoa, Mazé Goré conquistou gerações de clientes. Especializada na venda de aviamentos e materiais de costura, ela se tornou referência para quem vive da arte de costurar ou busca itens do segmento, oferecendo diversidade de produtos para atender às necessidades da população.
Ao relembrar a trajetória da família, dona Mazé contou que as primeiras conquistas vieram com muito esforço e simplicidade.
“Quando nós começamos a melhorar de vida, a primeira coisa que ele [Zé do Cícero] fez foi comprar a minha casa, onde moro até hoje. Depois comprou uma casinha para a mãe dele. Em 1973 nasceu meu primeiro filho, que faleceu. Em 1975 nasceu a Aninha. Eu já criava uma criança, que é o meu filho Zemário, o mais velho. Depois de oito anos, adotei outra menina. Tudo junto com meus filhos legítimos, e até aqui nós vamos trabalhando e levando a vida”, relembrou.
Com dedicação e simplicidade, Mazé consolidou seu nome como uma das comerciantes mais tradicionais de Quixeramobim. Ao longo dos anos, colecionou amizades e construiu relações de confiança que ultrapassam o balcão do comércio, fazendo parte da história afetiva de muitos moradores da cidade.
Sobre o apelido pelo qual ficou conhecida, dona Mazé explicou que a origem vem da própria família.
“Eu tinha um irmão que era jogador de futebol. A minha mãe não gostava de apelido, mas nós ficamos conhecidos por esse nome. Meu pai era Manoel Ferreira do Nascimento e também não gostava de apelidos, mas acabou ficando. E se alguém me chamar só de ‘Mazé’, sem o ‘Goré’, não sou eu”, brincou.
Mais do que vender produtos, Mazé Goré ajudou a fortalecer o comércio local e se tornou exemplo de perseverança e compromisso com a comunidade quixeramobinense.
Ao deixar uma mensagem para as pessoas, dona Mazé destacou a importância da fé e do respeito ao próximo.
“Ter muita fé em Deus, porque só Ele pode resolver os nossos problemas, sejam bons ou ruins. É Ele quem decide a nossa vida. Nós não somos nada sem Deus. A pessoa que não tem Deus no coração não é feliz. Respeitar pai, mãe, irmãos e os nossos semelhantes, isso é tudo o que Deus quer da nossa vida”, concluiu.
Ficha Técnica
Redação
Victor Felipe
Entrevista
Elistênio Alves

