As operações de teste da Transnordestina em Quixeramobim, no Sertão Central, devem começar em outubro e movimentar inicialmente 10 mil toneladas de grãos. A expectativa é que, com a adaptação da estrutura logística, o volume alcance até 80 mil toneladas de cargas por mês.
A informação foi divulgada por Ricardo Azevedo, CEO da Value Global Group, empresa responsável pelo porto seco de Quixeramobim, em entrevista ao jornal O POVO.
Segundo o executivo, a primeira operação deverá transportar 10 mil toneladas de grãos pela ferrovia. O projeto já conta com pré-contratos firmados com quatro empresas: duas fábricas de ração de Quixeramobim, uma empresa de Fortaleza e uma cooperativa de produtores rurais do município.
A estrutura também está sendo preparada para atender empresas de diferentes portes e produtores de outros municípios cearenses, além de cargas provenientes de estados que integram a região do Matopiba, formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Tecnologia para reduzir perdas
Para viabilizar a operação com maior eficiência, o porto seco deverá utilizar uma tecnologia já empregada no Paraná. O sistema permitirá retirar os grãos diretamente dos vagões e transferi-los para caminhões, reduzindo perdas durante o processo de descarga.
De acordo com Ricardo Azevedo, a operação de testes será importante para ajustar os procedimentos logísticos e buscar a redução dos custos para os clientes. O início das atividades, no entanto, ainda depende das autorizações regulatórias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), além da conclusão de etapas documentais, de seguros e de formalização comercial.
Frete pode ficar até 30% mais barato
A utilização da ferrovia também deve representar uma redução nos custos de transporte. A estimativa apresentada pela empresa é de uma queda de até 30% no custo logístico em relação ao transporte exclusivamente rodoviário.
Conforme Azevedo, o frete por tonelada poderá passar de aproximadamente R$ 500 para R$ 350. O cálculo considera desde a origem da carga, no Piauí, passando pelo transporte ferroviário e pela etapa rodoviária final até a Grande Fortaleza.
No lote inicial de 10 mil toneladas, a estimativa é de uma economia de aproximadamente R$ 1,5 milhão nos custos de transporte.
Capacidade deve crescer após conclusão do porto
A operação deverá ser ampliada gradualmente conforme a estrutura do porto seco avance. A previsão é que, a partir de julho de 2027, quando a construção do empreendimento deve ser concluída, a capacidade alcance até 36 mil toneladas movimentadas por dia.
Com a conclusão das moegas, estruturas destinadas à carga e descarga dos vagões, e das linhas desviadas, a empresa prevê condições para operar composições completas de até 12 mil toneladas, com possibilidade de até três viagens por dia.
A expectativa é que, em abril, também sejam concluídas a estrutura automatizada de descarga e as primeiras unidades de armazenamento, permitindo a formação de estoques para atender aos clientes.
Operação de retorno pode ampliar negócios
A Value Global Group também trabalha na criação de uma logística de retorno entre Ceará e Piauí. A ideia é utilizar os trens que seguirem de volta ao estado piauiense para transportar outros produtos, aumentando a eficiência e a rentabilidade do trajeto ferroviário.
Entre as cargas avaliadas estão calcário agrícola, cimento, gesso agrícola e ureia importada. Segundo o executivo, já existem conversas com produtores de calcário e fábricas de cimento interessadas no transporte ferroviário.
A estratégia busca aproveitar a estrutura da Transnordestina nos dois sentidos, ampliando as possibilidades de movimentação de cargas e fortalecendo o papel de Quixeramobim como ponto estratégico para a logística regional.

