O designer e ilustrador Marcos Junior, de 23 anos, lançou nesta segunda-feira, 14, seu primeiro mangá One Shot, formato de história em quadrinhos inspirado nos mangás japoneses e apresentado em uma única publicação. Intitulada “Várzea – O velho, a mortalha e a gaveta”, a obra reúne referências das histórias contadas pelo avô do artista, elementos da cultura regional e paisagens inspiradas em Quixeramobim.
Atualmente, Marcos trabalha como editor da SerTão TV, do Sistema Maior de Comunicação. A publicação marca também uma retomada de um antigo interesse do jovem pelo desenho e pela criação de histórias em quadrinhos.
A ideia surgiu a partir das lembranças da infância. Marcos conta que costumava ouvir as histórias do avô, conhecido como seu “Zé de Almeida”, e que aquelas narrativas, mesmo sendo reconhecidas por ele como invenções, despertavam sua imaginação.
Desde criança, o ilustrador também criava personagens e pequenas histórias em folhas de caderno. Na época, tinha o desejo de se tornar desenhista, embora ainda não soubesse como seguir esse caminho. Com o passar dos anos, o sonho acabou deixado de lado, até que decidiu voltar a desenhar e transformar o antigo hobby em um projeto autoral.
Das histórias do avô para as páginas

As narrativas do avô foram a principal inspiração para a construção de “Várzea”. Segundo Marcos, durante muito tempo ele imaginou aquelas histórias, mas nunca havia colocado no papel as imagens que criava mentalmente.
A referência visual para a obra veio de outra produção que marcou sua memória: o curta-metragem “Morte e Vida Severina”, de 2010. A estética da animação e a ambientação da obra serviram como ponto de partida para a identidade visual do mangá.
A partir dessas referências, Marcos desenvolveu uma história ambientada em um universo alternativo inspirado no interior cearense, incorporando elementos que fazem parte de sua própria relação com Quixeramobim.
Quixeramobim aparece em um mundo alternativo
Um dos diferenciais da publicação é justamente a presença de referências locais. A história se passa em uma versão reimaginada de Quixeramobim, inserida em um mundo alternativo chamado Várzea.
O nome faz referência aos diversos assentamentos e localidades que carregam essa denominação. Ao longo da narrativa, lugares conhecidos da região são reinterpretados e incorporados ao universo criado pelo ilustrador.
Entre os elementos presentes na história está a misteriosa Pedra da Gaveta, localizada na Fazenda Salva Vidas, que ganha papel de destaque na trama.
O próprio termo “gaveta”, presente no título, possui um significado pessoal para Marcos. A palavra remete ao período em que suas histórias e ideias ficaram guardadas e inacabadas, antes de ele decidir retomá-las e transformá-las em uma obra.
A publicação de “Várzea – O velho, a mortalha e a gaveta” representa, assim, a retomada de um projeto que começou ainda na infância e que agora ganha forma por meio de uma produção autoral inspirada nas memórias familiares e no imaginário do interior de Quixeramobim.
A obra pode ser acessada pela plataforma KariKari.

