A Prefeitura de Quixeramobim iniciou tratativas para captar financiamento internacional junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A proposta é utilizar os recursos em obras estruturantes no município, incluindo saneamento básico, pavimentação, construção de estradas, mobilidade urbana e melhorias na rede de ensino, além de investimentos relacionados à formação de um futuro complexo logístico-industrial.
A articulação ganhou novo passo nessa quinta-feira, 10 de setembro, durante reunião realizada em Fortaleza entre representantes da administração municipal e a diretoria de infraestrutura do BID. O encontro também contou com a participação do empresário Amarílio Macêdo, responsável pelo projeto de implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Quixeramobim, integrada à área do futuro Porto Seco, nas proximidades da ferrovia Transnordestina.
A reunião foi viabilizada por meio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que mantém tratativas com o BID para a estruturação de uma operação de US$ 300 milhões destinada ao Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE).
De acordo com informações divulgadas pela Sudene e repercutidas pelo O POVO, os recursos do BID poderão ampliar a capacidade de financiamento do FDNE em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento regional, como bioeconomia, saneamento, irrigação e logística. A previsão é de que as primeiras contratações ocorram no primeiro trimestre de 2027, com um primeiro repasse de US$ 100 milhões ao fundo.
Recursos poderão financiar obras no município
Ao O POVO, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Quixeramobim, Afrânio Feitosa, afirmou que o prefeito Cirilo Pimenta avalia a possibilidade de direcionar parte dos recursos para obras de saneamento básico, incluindo sistemas de água e esgoto, além de pavimentação, construção de estradas, mobilidade e transporte urbano e construção e reforma de escolas.
Outro eixo considerado pela administração municipal é a estruturação de um complexo logístico-industrial. A proposta envolve a área urbana desapropriada que faz a conexão entre a cidade e o futuro Porto Seco, criando condições para a instalação de empreendimentos e para o fortalecimento da atividade econômica local.
Segundo Afrânio Feitosa, a aproximação com o BID representa uma possibilidade de acesso a uma linha de crédito com condições consideradas mais favoráveis.
“A ideia é ter essa aproximação, ter essa opção de dinheiro mais barato que está no mercado”, afirmou o secretário ao O POVO.
Município avalia modelo de contratação
Ainda segundo o secretário, Quixeramobim possui classificação Capag B, concedida pelo Tesouro Nacional, condição que, conforme relatado por Afrânio, foi considerada pelo BID para uma eventual captação de recursos.
A partir de agora, a Prefeitura deverá elaborar os projetos das intervenções pretendidas e avaliar, por meio da Procuradoria-Geral do Município, qual será o formato mais adequado para a obtenção do financiamento. Entre as possibilidades está a contratação nacional por meio da Sudene ou uma operação internacional diretamente com o BID.
Afrânio também explicou que o banco trabalha com diferentes modalidades de financiamento. Segundo ele, operações em dólar apresentam taxas de juros em torno de 5,5% ao ano, enquanto os financiamentos em moeda nacional acompanham as taxas praticadas no mercado doméstico.
A eventual contratação ainda depende da elaboração dos projetos, da definição do modelo de operação e do cumprimento das etapas técnicas e legais necessárias para a obtenção do crédito.

