Entre ponteiros, baterias e pequenas engrenagens, uma história de dedicação vem sendo escrita há quase quatro décadas no Mercado Central de Quixeramobim. Conhecido por praticamente todos que circulam pelo centro da cidade, Toinho Relojoeiro transformou o ofício em muito mais que profissão: fez dele sustento, paixão e legado familiar.
A trajetória começou ainda nos anos 1980. Natural do distrito de Lacerda, Toinho chegou à cidade incentivado pelos pais, que desejavam para o filho uma oportunidade diferente da vida no campo. Foi através de um primo, o relojoeiro Mazinho, que ele teve o primeiro contato com a profissão.
“Meu pai queria que eu aprendesse uma profissão. Comecei trabalhando com meu primo em 1984, fui aprendendo e, em 1987, comecei por conta própria”, relembrou durante entrevista ao quadro Café no Ponto, da SerTão TV, e a coluna Nossa Gente, Nossa História, do Quixeramobim Agora.
Hoje, aos 39 anos de profissão, Toinho se tornou uma das figuras mais conhecidas do Mercado. No pequeno ponto onde trabalha diariamente, passam clientes de todas as idades em busca de serviços como troca de baterias, ajustes de pulseiras, revisões e reparos mecânicos.
Apesar das mudanças tecnológicas e do avanço dos relógios digitais, ele mantém o carinho pelos modelos tradicionais e pelo trabalho manual, que exige paciência, precisão e atenção aos detalhes.
“É um serviço delicado, que mexe muito com a mente da gente e com a visão. Mas quando a pessoa trabalha no que gosta, tudo fica mais fácil”, afirmou.
Ao longo dos anos, Toinho conquistou a confiança da população e acumulou histórias. Segundo ele, políticos, empresários e colecionadores de relógios já passaram pelo seu balcão. Alguns clientes chegam carregando verdadeiras coleções.
“Já teve cliente chegar aqui com mais de 15 relógios numa sacola para limpar e revisar”, contou, entre risos.
O amor pela profissão também atravessou gerações. Um dos filhos decidiu seguir os passos do pai e hoje trabalha ao seu lado no Mercado. Enquanto Toinho se dedica mais aos relógios mecânicos, o filho domina os modelos digitais mais modernos.
“Foi uma coisa natural. Eu até queria que ele seguisse outra profissão, mas ele dizia que queria consertar relógio igual ao pai”, lembrou.
Mais do que ensinar o ofício, Toinho afirma que aprendeu desde cedo a importância da responsabilidade. Segundo ele, esse foi o principal ensinamento recebido do primo que o iniciou na profissão.
“Ele dizia para fazer tudo com amor e responsabilidade, mesmo sabendo pouco. Isso eu levei para a vida.”
Pai de sete filhos, o relojoeiro diz ter construído toda a família através do trabalho no mercado. E mesmo pensando no futuro, garante que ainda não pretende abandonar a bancada.
“Enquanto eu estiver enxergando, quero continuar trabalhando. Eu amo o que faço”, afirmou.
Apaixonado por relógios, Toinho também mantém uma coleção própria, com quase 40 peças guardadas em casa. Para ele, porém, o maior valor não está nos relógios, mas na relação construída com as pessoas ao longo dos anos.
Ao final da entrevista, deixou uma mensagem sobre dignidade e amor pelo trabalho, independentemente da profissão exercida.
“Não importa se a pessoa é gari, médico ou relojoeiro. O importante é trabalhar com amor. Tem gente que trabalha só pelo dinheiro. Eu trabalho porque gosto. Quando você faz o que ama, tudo dá certo”, concluiu.

