Teve um tempo em que fazer rádio era, antes de tudo, um exercício de paciência, dedicação e muito improviso.
Nos anos 80, colocar um programa no ar, como o Serginho Machado, exigia bem mais do que talento e vontade. Era preciso correr atrás da informação, literalmente. As notícias não estavam a um clique de distância. Elas vinham de longe, da capital, impressas nas páginas do Diário do Nordeste, O Povo e da Tribuna do Ceará, que chegavam à emissora por meio de permutas.
Mas nem sempre dava tempo de esperar os jornais.
E era aí que entrava a verdadeira alma do rádio.
Durante a madrugada, enquanto a cidade dormia, Hélio Campos e Pedro Raimundo seguiam firmes na sala de redação, acompanhando as informações que chegavam por um equipamento que marcou época, o telex. Era por aquele aparelho que as notícias iam sendo impressas, linha por linha, trazendo o mundo para dentro da Rádio Campo Maior.
Quando o relógio se aproximava das sete da manhã, o sertão já podia acordar informado. Tinha notícia, tinha horóscopo, tinha prestação de serviço, tudo preparado com esforço, cuidado e compromisso.
Hoje, a informação chega em segundos. Está na palma da mão, em tempo real.
Mas havia algo diferente naquele tempo.
Talvez fosse a espera. Talvez fosse o cuidado. Talvez fosse o amor pelo rádio.
Porque o rádio… ah, o rádio é assim.

