A jovem quixeramobinense Rayssa Morais Brito, de 23 anos, formada em Engenharia Ambiental e Sanitária pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Campus Quixadá, conquistou o primeiro lugar no Prêmio TCC com o estudo intitulado: Simulação da área de inundação decorrente do vertimento do Açude Cedro, em Quixadá. Orientada pelo professor Delfábio Teixeira, a pesquisa oferece ao município um mapeamento detalhado das regiões vulneráveis a alagamentos, caso o reservatório volte a transbordar, contribuindo para a prevenção e gestão de riscos ambientais.
Em entrevista ao Quixeramobim Agora, Rayssa conta que a escolha do tema surgiu a partir do seu interesse pela área de recursos hídricos, que “é uma área muito explorada no curso de Engenharia Ambiental e Sanitária do IFCE, e que conta com um corpo docente robusto e de excelentes profissionais”, entre eles, o seu orientador professor Delfábio Teixeira, que possuía o desejo antigo de realizar a simulação da mancha de inundação da sangria do Açude Cedro. A pesquisadora disse também que “como grande admiradora do trabalho do professor Delfábio, buscou sua orientação para que pudesse desenvolver um trabalho no campo da modelagem e assim unir os interesses para concepção deste trabalho.”
A estudante afirma que para obter resultados verdadeiramente satisfatório, a simulação da mancha de inundação realizada no trabalho “carecia de uma base de dados de alta precisão, e esse foi o principal desafio que encontrou ao longo do desenvolvimento do estudo”. Entretanto, ela afirma que com o apoio do Campus e a parceria com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH), por meio da Gerência Regional de Quixeramobim, “a geração da base topográfica necessária foi realizada e, graças à isso, conseguimos obter resultados tão satisfatórios.”
Rayssa alega que o diferencial de seu trabalho em comparação com os outros “reside na resiliência e na precisão técnica aplicadas a um contexto de desafios reais”. E acrescenta “a relevância desse tipo de estudo para a gestão de riscos no Brasil, considerando, por exemplo, o contexto que estamos vivendo atualmente, com os acontecimentos em Minas Gerais devido as chuvas extremas. Cenário que também vivemos em 2024 no Rio Grande Sul e que, com a ausência de estudos que amparem tomadas de decisões realmente eficazes para a gestão de riscos, continuaremos vivendo ainda muitas vezes.”
De acordo com ela “é fundamental pontuar que este estudo é fruto direto da qualidade da produção científica desenvolvida nas nossas instituições de ensino público. É dentro das universidades e institutos federais que a ciência brasileira realmente acontece, aquela que descobre, constrói, previne, preserva e cura.”
A sanitarista afirma ainda que o objetivo do trabalho, desenvolvido por ela e pelo professor Delfábio, tem como intenção “contribuir como subsídio ao planejamento urbano e à gestão de riscos no município de Quixadá. Esperamos que este estudo funcione como um ponto de partida para apoiar a gestão pública na tomada de decisões estratégicas de mitigação e resposta a emergências.”
Ao ser questionada sobre quem ou o que foi essencial para que não pudesse desistir, Rayssa relata que a orientação de seu professor foi indispensável para a realização do trabalho e os resultados alcançados. “Além disso, o apoio da minha família e de quem caminha comigo de perto, também foi de grande incentivo para que eu pudesse enfrentar essa fase tão desafiadora que é a produção do TCC”, conta a pesquisadora.
“Enxergo essa conquista como a validação de todo o esforço dedicado não apenas a este trabalho, mas a toda a minha trajetória acadêmica. Para mim, agora que sigo como mestranda, ganhar esse prêmio reforça o compromisso de continuar pesquisando e de utilizar a engenharia como uma ferramenta de transformação social e ambiental, especialmente voltada às necessidades do semiárido cearense.”
Rayssa Brito
Por fim, a sanitarista deixou um conselho para os estudantes que estão começando o TCC agora e ainda não acreditam que seu trabalho possa alcançar um nível de excelência como o dela.
“Estudem com dedicação e confiem no processo. Mais do que buscar títulos, foquem em realizar um trabalho com propósito. É muito satisfatório ver nossos estudos como contribuições, ainda que pequenas, à sociedade. Por isso, confiem na ciência que nasce dentro da universidade pública e não abram mão de lutar por uma educação de qualidade. Quando colocamos propósito na pesquisa, o reconhecimento acadêmico torna-se um reflexo natural do nosso compromisso social”.

